terça-feira, 17 de agosto de 2010
PARAFUSOS, SORVETES E TSUNAMIS
alguns apertados quase espanando
e outros que fui perdendo
por causa da trepidação da vida...
mas que bom que, de tempos em tempos
sopram tsunamis no peito
e terremotos nas pernas...
por que o sangue às vezes congela
como bolas de sorvete de passas ao rum;
e meus fios elétricos encostam tanto
que dói a boca do estômago...
mas é sempre assim
para quem se aprofunda
ultrapassa superfícies lisas
e vai ao âmago...
das questões...
é sempre assim
para quem é doce e amargo
e não exatamente compreende
todas extensões...
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
HAIKAIS DE SOLIDÃO E TRISTEZA
pela estrada
se vão todos meus medos
vão, e eu fico
já é de noite
lua acesa no céu
eu apagado
terça-feira, 27 de julho de 2010
MARCAS DE BORRACHA FRITA
sou estrada
com queda de barreira;
estante
cheia de poeira...
asfalto
com marca de borracha;
cheiro de papel novo...
estou aqui mostrando a cara
mas queria
ser um no meio do povo...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
SILÊNCIOS E GRITOS
a película fina
que separa o silêncio do grito
é de vidro
há um espelho embaçado
no vapor do banheiro
que mostra e esconde
a imensidão do nada
entre o que eu digo
e o que me cala
passa um rio de riso
outro de espanto
e o que eu tenho pra dizer
não sei se escrevo ou canto
se o que sinto é só meu
e combina com poesia
ou se é para sair alardeando
quase uma gritaria
por que esse rio de riso
chega sem fazer alarido
e o outro cheio de espanto
consegue dizer ou calar
o que eu não consigo
terça-feira, 13 de julho de 2010
CULPAS, GOLES DE VINHO E PARAFUSOS
saio com os fardos lotados
mil erros nos bolsos
saio com dardos envenenados
quarta-feira, 7 de julho de 2010
DOR
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O POEMA DE “OZ”
na terra do mundo prático de Oz
todo homem só
volta ao pó
quase instantaneamente
por que na foz
de todas as lágrimas
todas as páginas
choram espontaneamente
e quem você gosta
desaparece de repente
e você sabe,
embora não aceite,
