terça-feira, 23 de novembro de 2010

O QUE SOMOS?

Tantas coisas somos e não somos!
Tantas, gostaríamos de ser e nunca seremos!

Dia após dia, um poema depois do outro
sonhamos dormindo sonhos bons
que acabam quando acordamos...

Sonhamos acordados sonhos despropositados
- pura perda de tempo!

Histórias inacabadas,
esperando a moldura da voz bonita do narrador;
histórias complicadas
pedindo novos personagens
e um pouco mais de amor...

...e sons mais limpos;
maestros para manter sob controle nossas notas;
e poetas para decifrar em versos cada vez mais concisos
o que realmente somos!

Quando é preciso tocar a vida em frente
mesmo solitários
- frutos de um fértil estado imaginário!

[ Esse poema é dedicado a Tatiana Moreira do blog “Simplesmente Amor” por que teve origem no poema “Sou...” publicado no dia 07 de novembro de 2010. Hoje, na releitura do poema, eu deixei dois comentários. E quando fui conferir se eles tinham sido enviados descobri que eu já tinha deixado um outro comentário no dia 08 sobre a mesma poesia. Então quando relembrei o que escrevi naquele momento me deu vontade de trazer para cá. O comentário se transformou no poema acima com uma breve revisão, alguns cortes, alguns acréscimos, além da nova formatação. Se desejarem conferir o poema que deu origem e conhecer o belo e inspirado blog da Tatiana é só clicar no link http://plantandoamor.blogspot.com/2010/11/sou.html ]

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PLACA

a 200 metros do perigo
há uma placa onde eu leio:
"PARADA OBRIGATÓRIA A 500 METROS"

[ !!! ]

e é assim
que nas vezes em que eu quase chego
sempre falta muito ainda

[ ... ]

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

POR UMA GOTA DE PERFUME NUM MAR DE DECEPÇÃO

duro é quando as tristezas duram
- resistem a passagem do tempo
como as letras nos originais...

duro é quando as alegrias não duram
- efêmeras esgotam apagam
como as letras num papel de fax...

as alegrias são voláteis, evaporam
as tristezas, dissecadas ou não
esnobam imortalidade...

as tristezas vão para os litros de vidro;
- prateleiras e mais prateleiras
no acervo bizarro dos museus da alma...

e a exata definição
é que as alegrias são quase
como uma só gota de fragrância...

em contrapartida as tristezas
lotam litros, livros, oceanos
e nos provocam ânsias.

e rindo ou chorando
perdemos o sono
e o lugar no último vôo...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

BOCEJOS, TREJEITOS E NECESSIDADES

o olho do relógio
é a vida que passatempo
num calendário cego

não há lugar para interrogações
só ausência total de explicações

é tudo um grande bocejo
boca que se abre e fecha
um milhão de vezes

trejeito
as mandíbulas firmes
mascando enfadonhas
chicletes insípidos

o tempo
escoa como agua fria
e o viço que antes sobrava
agora é uma espécie 
de sombra impiedosa

passam segundos, minutos, horas

acordamos suados
com olheiras nos sonhos 
e a esquina nos puxando
para o meio da rua

"independendo" se faz sol ou lua

as possibilidades então
são paisagens diferentes

e as impossibilidades
matam e enterram nossas necessidades
grandemente improváveis!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CRIPTOGRAFADO

tenho tantos rabiscos...
mas tantos...
que se fosse aproximá-los...
daria um estranho quadro
de metro quadrado
de arte pré-durante-pós-moderna!

 

tenho tantas divagações

que me quebro

e nada me conserta...

 

tantas anotações estranhas nas margens

tantas vertigens e falta de imagens...

 

que eu seria um livro de suspense

suspenso sobre a sombra do nada...

 

escondido

para não dizer criptografado

eu sou assim:

além de decifrações!

assim:

aquém de interpretações

 

só esperando o amém

de quem nunca vem...

 

 

[ Esse poema teve origem nas reações que me percorreram ao ler o poema "Garatujas Polissêmicas" no blog Opuntia da Carla. "...nos RabISCOS reBUSCO os SENTIDOS..."

http://opuntia-cactus.blogspot.com/2010/10/garatujas-polissemicas.html ]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ABRAÇO


bom é o abraço
que quando acontece
nunca se sabe
quem é um
e quem é o outro

perfeito é o abraço
que quando acontece
nunca se sabe
qual dos dois
se é

os braços se amarram
os olhos se fecham
e então, 
com a mesma delicadeza
dos rostos que encostam,
os corações abrasam
e o mundo grande
cabe todo
em cima dos pés


[ Foto: Vertumne et Pomone, Camille Claudel – 1905 – Foto: Amanda Fonseca,  numa de suas viagens a Europa, andando pelos jardins de Paris, num ano bem mais recente. A única coisa que me passou pela mente ao ver essa foto que a Amanda me mandou por e-mail, além de Camille Claudel na pele da Isabelle Adjani no filme francês de 1988, foi a essência do abraço. Esse é um abraço perfeito.]



 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

VINTE E UM REAIS E CINQUENTA CENTAVOS

Uma e vinte um no bar!

Música ao vivo meio Morta!

- No mínimo morna!

 

Eu fiz a conta

e deu um garçom

para cada 6,25 pessoas!

 

Na metade fumarenta e obscura,

uns vinte gatos pingados

fazem barulho...

 

Na metade sem fumaça,

eu, um casal de lésbicas

e um outro de sexo opostos...

 

Pelas paredes

as fotos desbotadas que,

assim como eu,

há muito tempo

não dizem muito...

 

E meu estômago, de fome,

que canta melhor que a guria,

no palco diminuto,

que pensa que canta!

 

Claquete sem anotações pra edição!

"Remake" do filme da minha vida

que ninguém viu, nem eu...

 

E o miserável repertório

rolando impune

e que é capaz de forjar duetos improváveis:

Scorpions e Alanis Morissette;

Pato Fu e Ana Carolina misturados...

Se eu fosse dar uma nota, dava zero!

 

Coca-Cola zero e gelo, esses sim!

- Pastel de queijo e frango a passarinho...

 

E, pra variar, eu antes das duas, enojado,

pagando a conta e saindo sozinho!