quarta-feira, 19 de outubro de 2016

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A PONTE


A PONTE

Meu caminho
tem uma ponte vermelha
que tenho medo de atravessar...

Por que dou passos
que saem de dentro de mim
para onde eu não sei se vou chegar...

Sou tudo e nada sou
ao mesmo tempo!
Gosto de dormir em casa
mas sonho melhor ao relento...

Sou desânimo e espalhafato
concreto e abstrato
Sou o rato que me rói a roupa...

Alterno freada e aceleração;
admissão e negação;
e a minha voz agora é rouca...

E minha lucidez agora é louca!

( por Daniel Hiver )


domingo, 25 de setembro de 2016

O CADERNO


O CADERNO
( por Daniel Hiver )

O que tenho de bom
é o som
dos meus próprios silêncios...

É a essência que eu grito;
um ato sem efeito;
folhas cheias de garranchos
do que eu trago no peito....

Ando falto;
ando farto
da falta de muitas coisas...
Cheio de recordações
e de poeira de estrada...
Invento tramas
que não me levam a nada...

Tudo anotado.
Tudo assentado por escrito.
Tudo assuntado
no caderno bonito.

Hoje sou o que sou
mas o que fui ontem
era mais brilhante...

Tudo mais emocionante!
Tudo muito menos irritante!

E amanhã eu vou ser
o triste arremedo;
uma falsa representação dos medos
que eu nunca tive antes...

Do tempo que eu era
mas não sou mais de diamante!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

TOQUES DOCES



 Meus lábios procuram tua pele,
como se fosse aqui minha boca com meus toques
e por aí a eletricidade da tua pele me dando choque... 

Meus lábios tem novos truques macios
descobertas dessas que acabam com qualquer frio... 

Por que só aqui contigo eu sou inteiro.
E gosto de perder minhas agulhas,
e pensar que teu corpo é um palheiro... 

Tenho aqui carinhos que de tão suaves
são espécie rara de estremecimento...
Tenho aqui delícias que movem todo meu corpo
e um lindo caso de amor com o vento...
Tenho aqui lábios que quando tocam tua pele
são pura brisa que sopra ternura e encantamento... 

Eu posso ser mágico e artista
em tocar tuas superfícies como se eu te desenhasse,
com sutilezas cercadas de silêncio e de cuidado...
Com fome e sede de homem louco e apaixonado! 

Meus lábios podem te tocar suavemente.
E minha pele pode se confundir com a tua.
E toda vez que ouço tua respiração louca eu incendeio
e sinto meu céu se acender com a doce luz da tua lua... 

Meus toques leves
podem deslizar teu corpo bem lentamente;
e eu gosto de fechar os olhos enquanto te toco;
gosto que entre em mim pelo tato e o calor da pele... 

Meus lábios no fundo sempre querem teu beijo
Meu corpo sempre quando encosta o teu
Incendeia minha pele com fogo de absurdo desejo! 

Experimento jeitos e formas de amar
que se auto-derramam quando os dois se trocam;
quando os dois se ajustam;
quando os dois se tocam... 

E meus lábios com seus truques
Agora sussurram tudo que nasce e que é para ser dito
Bem perto do ouvido. 

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

DESESPERO




( A acentuação gráfica na palavra destacada entre “aspas” não corresponde às normas atuais de gramática. Mas se tem alguém que espera, então quando deixa de esperar ele “desespéra”... Então eu espero e “desespéro”. Nesse poema curto eu só falo de desespero mesmo no último verso. )

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

UM SOL SEM ROSTO


UM SOL SEM ROSTO

Setembro
e nem parece que é primavera.
No copo frio de vidro
o último gole do vinho que eu era...

Resta migalha de mim
num teatro mágico;
um leve sopro de brisa
no bolso vazio da camisa!

Por todo céu
camadas de nuvens
escurecendo
e “enfeiando” o dia...

Ausência de vento
falta de sopro
clareando
e enfeitando o dia...

Há som de flauta
e estrondo de trovão...
há alarido por tudo
mas também muita introspecção...

Há tempestade
que enverga a árvore
e chuva que chove
e chuva que escorre;
silêncio de palavra
e eu meio tonto
bêbado sem tomar porre...

Há temporal que dura
firme em mim
e uma lágrima
e um inicio certo de fim...

Estou perplexo
desconexo
molhado
encharcado;
e devo estar estranho
se me olhar no espelho
e não me ver do lado...

Por que estou e não estou
Sou eu e não sou...

Sou folha ressecada
e flor despetalada...

Uma folha em branco
em que não escrevo nada...
E uma viagem que inicio
mesmo sem ter estrada...

E o sol
está onde não devia estar
e nem assim eu vejo;
que quero gargalhar
e o máximo que tenho
é um gracejo...

E continua chuva
e há trovões de melancolia
que cabem em mim como luva...

Chove lá fora
e eu aqui dentro
só quero dormir!

Chove aqui dentro
e eu aqui mais dentro
e é tarde demais para fugir!

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

EU POSSO

Poema: Daniel Hiver
Foto: Ilaine Kunz

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

BEIJO OU BEIJOS


Um beijo...
Ou dois...
Talvez muitos mais...

Beijar é bom!
Mas dar beijos no plural
é o que faz da experiência
- singular!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

NAS LINHAS SEM CORDAS DE MIM


As cordas que não me seguram são de entrelinhas;
que talhadas pelo tempo ganham ou perdem rimas...
 
Meus versos são agora emaranhados vagos
perdidos como linhas numa emoção em retalhos...
 
O que sou soa fragmentado e grave;
flui do íntimo sem amarras ou enclave...
 
E a visão que tenho de mim é a de um cego tateando Braile,
tentando decifrar os enigmas de uma vida que me expele...
 
E quanto mais eu busco achar o que penso;
mais eu penso em não achar o que busco...
 
Percepção rara de que nem tudo é mais o que almejo;
dúvida certa de que nada é melhor que um beijo,
que una os lábios sedentos de tanto desejo...
 
Que percorra a alma ardente de uma espécie de fôlego sem ar,
quando o resto de tudo é pequeno demais para tentar desatar
as cordas de entrelinhas que ousam me revelar...
 
[ Daniel Hiver & Tatiana Moreira ]

[ Nos dias 17 e 18 de julho de 2013, eu e a Tati escrevemos essa poesia em parceria e perfeita sintonia. Desde a escolha do título até a sequência livre de versos que foram se intercalando da forma mais espontânea possível. A poesia fala sobre a realidade de nos sentirmos por vezes perdidos de nós mesmos; bem naquelas horas em que estamos repletos de entrelinhas e vazios de explicações. Aí para desatar o nó é quase tão complicado quanto tentar ler Braile sem ser cego. A postagem é simultânea em ambos os blogs e a seguir eu coloco o link para que vocês conheçam o belíssimo "Simplesmente Amor", um lugar para se visitar e permanecer!
http://plantandoamor.blogspot.com.br/2013/07/nas-linhas-sem-cordas-de-mim.html ]

terça-feira, 11 de junho de 2013

M&M's, VAMPIROS E SILICONE







Há um falso sentimento
de euforia e segurança...
Um deserto e um oceano
de probabilidades e crimes
que permeia tudo... 

Matam e vivem pelo dinheiro;
amam e desprezam! Por vezes odeiam! 

Se a rede “Wi-Fi” está lenta
a felicidade rapidamente desaparece! 

Longe do ponto de “Wireless”
só há impaciência,
pensamentos confusos
e palavras rudes... 

Criam senhas complicadas
por que é mais seguro! 

E babás eficientes que ganham pouco
“criam” seus filhos... 

Então tudo se resume
a correria desenfreada,
noites insones, estresse
e videoconferências! 

E a vida segue de jatinho
ou dentro de uma “caminhonetona”... 

E a vida estagna cheia de tédio
futilidade e livros de autoajuda... 

Há silicone subcutâneo...
Filmes e séries de vampiro por tudo... 

E os dois caras se beijando na calçada
adoram M&M’s e eventos de MMA.  

Incomodando os ouvidos
uma droga de música
que gruda como chiclete...
- Uma coreografia estúpida
ofuscando os melhores gols! 

E nesses lugares em que se come
alguma coisa ruim e cara,
de um lado da mesa
há um amigo anônimo conversando com o “Tablet”
e do outro só mais um solitário
e seu “Smartphone”... 

Ambos não conversam
mas adoram “twittar”
e bisbilhotar a vida dos outros no Facebook... 

Na calçada passa um idiota
quase perdendo as calças...
Dá para ver a cueca quase a meia bunda!

Ele usa boné para trás e “se acha”.
Tem um cérebro de ervilha
entre os maiores fones de ouvido do mundo...

Daniel Hiver

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

PRONTO



Estou pronto para o voo solitário
e me escondo de mim!
Agora nenhum tipo de liberdade me atrai
e fico refém dessas experiências sem fim
que assustam e são inevitáveis...  

Estou pronto para não sentir alegria na dor
por que tudo é invariavelmente
um tolo disfarce pra dor... 

Estou acostumado a ausência de amor
de desistir de ter calma e paciência
quando algo fica totalmente fora de controle... 

Ultimamente eu tenho pensado
que não estou pronto para mim
por que até quando estou comigo estou só... 

Erro a conta da minha matemática mais simples
a de dividir sonhos impossíveis
em milhões de maus pedaços coloridos... 

Deixo de ter cuidado com o que penso
e me entrego aos mesmos pensamentos inquietantes... 

Diria que estou pronto para tudo
que tenha a ver com deixar de ser eu mesmo...

Será que alguém pode ouvir quando grito sem voz?
Será que alguém compreende por que não estou aqui? 

Se eu me der uma chance
talvez eu consiga não sofrer
de tanto pensar com o coração... 

Talvez eu deixe de ser tão dramático
e consiga ser um pouco gentil comigo mesmo... 

Eu estou pronto para ficar em completo silêncio!
E farei o melhor que puder
para levar em minhas mãos
os balões brancos da paz
que preciso fazer comigo mesmo... 

Quero subir escadas de regras menos estranhas;
ensinar e aprender,
me dar o que tenho de melhor,
minha voz,
meus olhos, minha mente...

E entender que apenas o pouco necessário
sempre será o que é o suficiente...


Daniel Hiver

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sábado, 2 de março de 2013

CIDADE DE SANTO CRISTO

A vida é assim...
Encontros,
- desencontros! 
 
Acertos,
que se alternam com erros...
Pequenos erros
ou erros crassos...
A vida é assim...
Muitos tapas na cara,
e de vez em quando uns amassos!
 
Certezas e dúvidas...
Dias de água e comida caseira
Dias de vodka e fast food...

Vida!
Pressa e calmaria!
Preguiça e correria!
Um algo que tem que ser hoje;
que se não der,
pode ficar para outro dia...  

A vida é assim!
Ou assado!
Um eu tímido;
e um outro eu assanhado! 

Começo e fim
e tudo que há no meio.  

Boas lembranças
e saudade!
Vontade de abrir um buraco
e se enterrar... 

Qualquer pequena coisa
que faz rir!
- Ou chorar!
 
A vida é sair pela porta
e voltar com uma carta!

É Santo Cristo
ou Jacarta.

Daniel Hiver

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