segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PEQUENAS COISAS

Nenhuma escola me influenciou tanto quanto eu mesmo.
E o que sou, só eu entendo parcialmente.

Eu mal e mal me aceito
e quando entro em casa para dormir
algo de mim fica do lado de fora.

Sou formado milimetricamente
por milhares de lascas de pedras coloridas.
E chamo a atenção pelo brilho e a ausência de emendas...

Mesmo assim eu sou inteiro mesmo pela metade.
E reconheço a necessidade
de ultrapassar o meu próprio “commeso”...

E para sobreviver apesar da falta de estilo
eu crio oceanos, escrevo céus e mais céus
de idéias obscuras manuscritas em nuvens claras de algodão doce...

Trato das alergias com cartão de débito.
Persigo alegrias que compro no cartão de crédito.

As melhores sensações vão se tornando raras...
Tão incomuns no meu caso quanto comprar roupas caras...

Então dou a cara para bater
E o meu sorriso que é sempre para valer...
ganha o dia com qualquer pequena coisa que emociona!

Um gol,
Um orgasmo,
Uma frase inteligente...
Uma cesta de três pontos...

O vale lindo do ponto de vista lá do belvedere...
Uma estrada cheia de curvas que se distancia...
Às seis da manhã uma noite que termina ou um dia que inicia...

Um mergulho gelado num rio de cachoeira...
Um olhar de mulher que eu quase tinha esquecido!

Um sorriso de criança ou de uma velhinha!

Uma vitrine cheia de novidades eletrônicas
ou um sebo cheio dos livros que foram de outros donos.

Então eu posso até perder a linha.
Mas percebo, enfim, que a vida está longe de chegar ao fim da linha!

Um comentário:

  1. Ainda bem! Há tantas Pequenas Coisas a serem vistas, não é?

    ResponderExcluir

Adorei a sua companhia no caminho dos plátanos. Volte quando quiser!