Ando de arrasto, esgotado de tanto carregar fardo dos outros e pedra nos meus sapatos.
É que meus sonhos, delirantes e grandiloquentes, ficaram agora, ou do tamanho certo, ou pelo menos mais sensatos...
Aprendi que é preciso aprender a contornar pequenas crises sem precisar me perder em grandes aparatos...
Por que a vida de verdade não é de meias verdades e o que é, é mesmo, e é e não há espaço para boatos...
Se meu céu tem nuvens elas estão todas estiadas... E muito embora eu pense que saiba tudo os meus medos não me permitem nada...
Sigo entre nevoeiros que me deixam sem teto para pousos e decolagens...
Eu e a bagagem de mão, velhas cartas e fotos e um mapa para encontrar um amor ao final das viagens...
E então o frio que sinto, se pode ser atenuado ou não, vai depender muito da qualidade das lenhas que eu botar para queimar; ou de quem nesse ponto da vida se aproxime e arrisque me acompanhar!
[ FOTO: AMANDA FONSECA – Setembro de 2009, no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, estátua em mármore "Inverno", de autoria de Paul Jean Baptist Gasg. Clique com o lado direito do mouse na foto e abra em outra janela para observar melhor todos os detalhes. No inicio de setembro eu e minha amiga fotógrafa Amanda Fonseca, combinamos fazer algumas coisas juntos. Surgiu a idéia de eu entrar com as palavras e ela com as imagens. Uma coisa do tipo Tom e Vinícius. Nada a ver com Tom e Jerry. Rsrsrs Então nosso primeiro trabalho em conjunto foi publicado aqui no meu blog em 14 de setembro de 2009, sob o título: “O ouro do sol de Amanda”. Na oportunidade a minha poesia nasceu para descrever o lindo pôr-do-sol que ela me mandou por e-mail. Agora, nesse “Nevoeiros e estiagens”, invertemos as coisas. Eu mandei a poesia por e-mail, que permaneceu inédita até que Amanda colocasse a imagem. No poema eu falo de meus desconfortos. Falo do frio que sinto e de meu céu de nuvens em tempos de total estiagem. Na foto, Amanda nos mostra o instrospectivo senhor inverno no meio de uma paisagem escurecida. VEJA OUTRAS FOTOS DE AMANDA FONSECA EM: http://www.panoramio.com/user/2100668.]
A minha voz quando sai sai do fundo... Por que no meu mundo os fonemas têm um caso de amor com o silêncio!
Por que o que eu sou para mim mesmo é segredo... E posso alternar uma pose de valente com uma reação de típico medo...
A dor do meu poema dói por que sou inquieto... E por que de nada adianta ter sonhos lindos que nunca passam do teto...
Por que meu reflexo no espelho é o de um cara complicado... Muito embora, de fora, eu pareça decifrado...
Por que eu sou eu todas às vezes, mas quem não me vê há meses pode se confundir...
Por que meus pensamentos ficam quando deviam ser exorcizados... E sou esquecidiço quando devia agir como o planejado...
Por que passo dias sem ser visto e me escondo no fundo do mundo; e experimento o ponto de vista da última fileira... E é de lá que eu espero que percebam que sou eu cavando trincheiras para me proteger...
E é de lá que eu quero que me ouçam sem que me ouçam gritar... Pois quando eu estiver em silêncio; os demais silêncios devem se calar...
Depois da explosão produzida pelo frio adeus, os sentimentos estão vivos mas respiram por aparelhos...
O que foi dito magoou e esmaga tanto que ninguém pode saber, se o que está esparramado para todo o lado, são os sentimentos partidos ou as vigas retorcidas dos sonhos em ruínas.
Há uma aflitiva procura por respostas. Mas todas as linhas estão cruzadas. Há uma última busca por compreensão. Mas todas as conexões estão tão absurdamente lentas; como se não houvesse mais lugares nos ônibus que levam as perguntas até o destino...
Como se as vias rápidas por onde eles seguem tivessem se tornado estradas de terra impraticáveis...
Como se meus sorrisos que eram como águas termas tivessem agora a consistência dura de gelados icebergs.
Como se no lugar onde as perplexidades me invadem só existissem músicas tristes de lágrimas, para o acompanhamento macio dos lenços de pano com uma misteriosa letra inicial que eu reconheço...
Tristeza é assim! Pode acabar na dúzia de lenços de pano... Ou se a instabilidade durar mais que o esperado pode precisar de caixas e mais caixas de kleenex...
Ainda assim a pergunta que martela pode acordar no meio da madrugada e exigir uma resposta: - Como sair de um jeito definitivo se não se sabe ainda se o próximo segundo trará um grito de desespero ou um silêncio angustiante?
Sair de quem se adora é assim. Tão atordoante e inesperado quanto ouvir explodir uma bomba e ficar sentado...
É estranho precisar arrancar árvores sem deixar raízes; sair pela porta sem levar uma cópia das chaves...
É como passar uma noite linda batendo palmas e acordar de manhã algemado...
E como amanhecer com um frio nas idéias, e uma ausência nervosa de perspectiva que pode durar meses, anos ou para sempre!
Ou que amanhã pode amanhecer com sensação de alívio!
... enquanto a vontade de dizer alguma coisa for maior do que a necessidade de ficar em completo silêncio! Enquanto a esperança pulsar e os sonhos, de tão leves, ultrapassarem a altura das nuvens! [ DANIEL HIVER ]
As folhas do outono estão por toda parte. Os meus caminhos agora são outros. Ando sozinho por desertos e acompanhado por um tipo de solidão que me agarra e não me solta. O frio das tardes de chuva me deixa estranho, confuso e sem ninguém por perto. Mas continuo pelo caminho dos plátanos; com um leve sorriso no rosto e as demais reações desfiguradas pela força do silêncio, mas ainda intactas.
Foto de Paula Barros... Fantástico que tenhas te lembrado de mim por essas bandas mais ao sul do hemisfério, ao ver esta folha numa calçada de Buenos Aires. De repente o formato singular da folha de plátano, que raras vezes passa despercebido, é que marcou a esse ponto de alguém sensível como tu, se lembrar de mim ao dar de cara com uma. Tua lembrança e comentário me fez muito feliz. Salvei aqui no meu álbum e aqui no blog. Obrigado pelo carinho!
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DANIEL HIVER NO ESPAÇO ABERTO
Se desejar, poderá ler a entrevista concedida ao blog Espaço Aberto, dando um clique na imagem acima.
UM DEPOIMENTO DE UMA LEITORA ESPECIAL
No dia 30 de dezembro de 2010 no blog Dictum et Factuma Viii publicou a postagem "Desculpem..."Em meio ao texto ela escreveu o que segue a respeito do "Caminho dos Plátanos", que me sensibilizou e que eu sinceramente agradeço: "Na coluna do lado esquerdo do blog do Daniel Hiver, diz assim: “Escrevo para que as pessoas leiam e imaginem...” e como ele ‘brinca’ com nossa imaginação, rs! Digo sem hesitação que poucas pessoas me surpreendem tanto como ele, por sua intimidade com as palavras e pela tamanha sensibilidade. Não consigo fazer versos e confesso que alguns são demasiados entediantes de se ler, mas esse sentimento passa longe de mim quando ando por lá. E de todas as sensações, aquela que predomina é a de ver sentimentos – a maioria deles difíceis até de descrever – serem transformadas em palavras lá." Muito obrigado Viii pela citação espontânea em seu blog. De todo coração, vou guardar isso na memória como uma das coisas mais especiais dessa minha experiência de andar por aqui.
Escrevo para que as pessoas leiam e imaginem...
[ Daniel Hiver ]
MECANISMO DE COMBATE AO PLÁGIO
A poesia não é para ser lida; é para ser "sentida".
[ Daniel Hiver ]
A FOLHA NO MEIO DO CAMINHO
A folha seca caiu no asfalto e só um vento extraordinariamente forte poderá conduzi-la até o próximo outono.
Quando criei o blog coloquei aqui neste espaço um contador. Era possível ver o número de artigos e de comentários. Mas comecei a perceber que os números eram loucos. Mudavam de um jeito muito estranho. Então pensei. Para que eu quero um contador que muda os números aleatoriamente e não apresenta os números reais que deveria mostrar? Melhor é continuar publicando e sabendo que alguns de vocês gostam de ler.
POEMA-GADGET
Este é o contador do blog
onde o poeta conta
leitores que o amam
ou que o ignoram.
"POEMA-GADGET" veio parar aqui na barra lateral à esquerda dos textos principais do meu blog, por que numa cinzenta e chuvosa manhã de inverno o "poema-orelha" do Drumonnd entrou por meus olhos e me seduziu. Esta é a orelha do livro / por onde o poeta escuta / se dele falam mal / ou se o amam.
( POEMA-ORELHA - Carlos Drumonnd de Andrade, publicado na orelha do livro "A vida Passada a Limpo" de 1959 ).
TEMPO
"O tempo
é muito lento
para os que esperam.
Muito rápido
para os que têm medo.
Muito longo
para os que lamentam.
Muito curto
para os que festejam.
Mas, para os que amam,
o tempo é eterno."
- William Shakespeare
SEGUIDORES
Selo Beautiful Blogger Award
PRÊMIO DARDOS
O CLIPE FAVORITO
Eu tinha colado um link aqui para que, quem quisesse, pudesse assistir no Youtube ao vídeo "Bad Day" de Daniel Potter. Criativa sobreposição de imagens do dia-a-dia de um homem e uma mulher que um dia se encontram. Mas de repente removeram o link. Ainda assim se você quiser mesmo ver o vídeo, poderá procurá-lo no mesmo Youtube digitando as palavras "Bad Day - Daniel Potter".