terça-feira, 11 de junho de 2013

M&M's, VAMPIROS E SILICONE







Há um falso sentimento
de euforia e segurança...
Um deserto e um oceano
de probabilidades e crimes
que permeia tudo... 

Matam e vivem pelo dinheiro;
amam e desprezam! Por vezes odeiam! 

Se a rede “Wi-Fi” está lenta
a felicidade rapidamente desaparece! 

Longe do ponto de “Wireless”
só há impaciência,
pensamentos confusos
e palavras rudes... 

Criam senhas complicadas
por que é mais seguro! 

E babás eficientes que ganham pouco
“criam” seus filhos... 

Então tudo se resume
a correria desenfreada,
noites insones, estresse
e videoconferências! 

E a vida segue de jatinho
ou dentro de uma “caminhonetona”... 

E a vida estagna cheia de tédio
futilidade e livros de autoajuda... 

Há silicone subcutâneo...
Filmes e séries de vampiro por tudo... 

E os dois caras se beijando na calçada
adoram M&M’s e eventos de MMA.  

Incomodando os ouvidos
uma droga de música
que gruda como chiclete...
- Uma coreografia estúpida
ofuscando os melhores gols! 

E nesses lugares em que se come
alguma coisa ruim e cara,
de um lado da mesa
há um amigo anônimo conversando com o “Tablet”
e do outro só mais um solitário
e seu “Smartphone”... 

Ambos não conversam
mas adoram “twittar”
e bisbilhotar a vida dos outros no Facebook... 

Na calçada passa um idiota
quase perdendo as calças...
Dá para ver a cueca quase a meia bunda!

Ele usa boné para trás e “se acha”.
Tem um cérebro de ervilha
entre os maiores fones de ouvido do mundo...

Daniel Hiver

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

PRONTO



Estou pronto para o voo solitário
e me escondo de mim!
Agora nenhum tipo de liberdade me atrai
e fico refém dessas experiências sem fim
que assustam e são inevitáveis...  

Estou pronto para não sentir alegria na dor
por que tudo é invariavelmente
um tolo disfarce pra dor... 

Estou acostumado a ausência de amor
de desistir de ter calma e paciência
quando algo fica totalmente fora de controle... 

Ultimamente eu tenho pensado
que não estou pronto para mim
por que até quando estou comigo estou só... 

Erro a conta da minha matemática mais simples
a de dividir sonhos impossíveis
em milhões de maus pedaços coloridos... 

Deixo de ter cuidado com o que penso
e me entrego aos mesmos pensamentos inquietantes... 

Diria que estou pronto para tudo
que tenha a ver com deixar de ser eu mesmo...

Será que alguém pode ouvir quando grito sem voz?
Será que alguém compreende por que não estou aqui? 

Se eu me der uma chance
talvez eu consiga não sofrer
de tanto pensar com o coração... 

Talvez eu deixe de ser tão dramático
e consiga ser um pouco gentil comigo mesmo... 

Eu estou pronto para ficar em completo silêncio!
E farei o melhor que puder
para levar em minhas mãos
os balões brancos da paz
que preciso fazer comigo mesmo... 

Quero subir escadas de regras menos estranhas;
ensinar e aprender,
me dar o que tenho de melhor,
minha voz,
meus olhos, minha mente...

E entender que apenas o pouco necessário
sempre será o que é o suficiente...


Daniel Hiver

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sábado, 2 de março de 2013

CIDADE DE SANTO CRISTO

A vida é assim...
Encontros,
- desencontros! 
 
Acertos,
que se alternam com erros...
Pequenos erros
ou erros crassos...
A vida é assim...
Muitos tapas na cara,
e de vez em quando uns amassos!
 
Certezas e dúvidas...
Dias de água e comida caseira
Dias de vodka e fast food...

Vida!
Pressa e calmaria!
Preguiça e correria!
Um algo que tem que ser hoje;
que se não der,
pode ficar para outro dia...  

A vida é assim!
Ou assado!
Um eu tímido;
e um outro eu assanhado! 

Começo e fim
e tudo que há no meio.  

Boas lembranças
e saudade!
Vontade de abrir um buraco
e se enterrar... 

Qualquer pequena coisa
que faz rir!
- Ou chorar!
 
A vida é sair pela porta
e voltar com uma carta!

É Santo Cristo
ou Jacarta.

Daniel Hiver

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ANFETAMINA

Eu vou pelas avenidas
que é para não correr o risco
de ter que parar em cada esquina... 

Por que gosto mais da vida sem “rebite”
e por que dá para chegar no destino
sem misturar álcool e anfetamina...

Daniel Hiver

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

DICOTOMIA

Sou feito de adversidade e festa.
Um abismo entre o beijo roubado
e a picada de inseto...
Minhas vontades dormem enquanto estou acordado...
E enquanto uns param eu vou reto...

Sou livro de páginas arrancadas.
Minha vida cabe num curta metragem...
Minhas vontades acordam quando estou dormindo.
E sonho céus limpos de beijo molhado; seca e estiagem...

Sou o dia nublado de ontem
e a noite de hoje iluminada...
Sou de um tempo que não existe...
Metade tudo, outra metade nada.
Previsível e indecifrável...
Às vezes cintilo... Às vezes lucilo...

Daniel Hiver

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PÓ


Agora eu sei que as palavras são fracas!
lado a lado com as atitudes 
elas são como a fina camada de pó
- Não pesam nada na balança! 

Agora sinto como se tudo que eu tivesse falado
coubesse dentro de uma partícula de pó.
E como todo pó
duma hora para outra pode desaparecer
o que resta é esperar o momento
certo de ser pulverizado! 

É verdade.
As palavras podem ser pó...
Mas o que não é pó? 

O homem foi feito de pó...
E ao pó, não só todo homem voltará...
Mas também toda atitude
gestos, movimentos, aspirações...
Quando muito todas coisas que "são"
na verdade são só "divagações"! 

E benditas sejam todas
as tempestades!
Por que depois de passadas
todo pó no horizonte
é o que vai colorir o pôr-de-sol
em fins de alegres tardes coloridas!

Vermelhas!
 
Daniel Hiver

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

SEM SOL E SEM CHUVA


Errar e ser perdoado
é como descobrir ouro na lua...
É aceitar a tristeza do outro
como também sendo a sua...
E produzir coloridos arcos-íris
com ou sem sol; com ou sem chuva...

Acasos não acontecem,
e grandes casos de amor
até se esquecem...

Por que o tempo continua implacável
absurdo, improvável...
E a pergunta óbvia de ferro
recebe tratamento inoxidável...

As circunstâncias são só de momento
aparecem e somem
não tem nenhuma importância
ou marcam para sempre...

Números de telefone mudam
flores murcham;
e depois que as lenhas queimam
o amor é uma triste lareira sem fogo
uma falta de sorte no jogo;
uma clareira aberta no mato
com sofrimento...
- Como encontrar a saída do labirinto
na centésima décima primeira tentativa.

Onde antes só havia amor
uma agonia agora se ajusta perfeitamente...
Uma dor das grandes consumindo
uma viagem ao fim do que mais fere a gente...

Coração árido em mente fértil
euforia e tranquilidade...
Migalha multiplicada por nada...
Onde devia haver razão
e só há ansiedade...

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