quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

TORRE DE PISA


sou polvilhado de ausências
país das maravilhas, Alices...
apontado culpado de todos
blefes, flertes, fetiches...

sou salpicado de ausências
mas a pior de todas
é a falta da minha própria presença
quando dou por mim
mais doído que doença

disparo a campainha
ou é o vizinho que sempre pede farinha
mas o que eu sei e ele não sabe
é que não estou em casa
nem para mim mesmo

sinal de que deveria
alugar meus sonhos
para todos os esquizofrênicos do mundo

por que às vezes me sinto nitroglicerina
o próprio estopim
a causa do naufrágio
e a falta de motivo pro motim

eu me amofino e sou amofinado
jogo baralho com Shakespeare
grito e ouço gritos
nos corredores de Auschvitz
coisas de louco
aviões e kamikases no Havaí
dentro do zunido...
do meu ouvido

sinal de que estou cansado
para a solitária valsa
de se dançar "Lento"
num lago que era azul
e que ficou escuro

por que sou queimado de inconsistência
cheio de precipitações e más influências
rodeado dos piores e mais altos muros
quando nem saindo para me divertir comigo mesmo
eu me sinto seguro

por que estou no chão estatelado
por um adeus que nem sequer foi dito
e que, em mim, por minha causa
só o que é estúpido parece ficar bonito

e volto a correr
por que quando tentei ser mais "Lento"
escorreu entre os dedos o que me suaviza

por que fiquei sem norte
e meus sentimentos tortos
em outros portos
eu quase caindo mais que Torre de Pisa

22 comentários:

  1. Lendo voce
    e
    Bem estou aqui pra conhecer
    seu blog,me encantar com sua escrita
    e tambem
    Vindo para dizer que vou adorar que conheça meu canto
    deixo bjins e minha provocação...
    " Mas só percebe
    quem aceita a
    pro-
    vo-
    ca-
    ção...

    Catiaho/ Reflexo d' Alma entre delírios e delírios

    ResponderExcluir
  2. Esse tempero chamado ausência quando salpicado demais deixa um sabor meio amargo dentro da alma...rsrs
    Algumas partes eu ate iria destacar, mas tá tão bom tudo que li, que deixo aqui um tantinho do tempero da admiração salpicado na sua escrita...
    Conserte esses sentimentos...desentorte-os
    Faça um motim dentro da alma...rsrs
    Um abração nela...bons ventos no coração...

    ResponderExcluir
  3. Achei isso muito interessante porque você se mostra um lírico não lírico.
    Nada óbvio e nada comum seu poema - protesto - pancada - perseguição - poema de quem tá "p" de um modo muito diferente.
    A torre?
    Balança mas não cai...e no balanço, cria vertigem de criatividade.

    ResponderExcluir
  4. Daniel,

    Gostei tanto disso!

    Eu também sou polvilhada de ausências, todas por opção. Sempre digo que o meu vazio precisa de espaço, e assim se faz.

    Dois beijos.

    ℓυηα

    ResponderExcluir
  5. Vim conhecer e agradecer a visita. Agora sou seguidora. De um novo poeta. Aguardo vc vez em quando por lá. No Blog da Eliane para um bate papo na sala de visita.
    Adorei descrição do perfil.

    ResponderExcluir
  6. "Por que estou no chão estatelado
    por um adeus que nem sequer foi dito
    e que, em mim, por minha causa
    só o que é estúpido parece ficar bonito"

    Somos feitos de partidas sem adeus, de encontros sem presenças, de desamores sem amores, de beijos sem bocas e abraços sem corpos.
    Mas devemos sempre inverter tudo isso, buscando chegadas, encontros reais, amores, bocas e corpos. Essa deve ser nossa meta sempre, nunca esmorecer, nunca deixar de viver intensamente.

    Beijos guri

    ResponderExcluir
  7. Daniel,

    Parece meio cruel o que eu vou te dizer, mas são nas horas íngremes, em que falta fôlego para continuar escalando, que a poesia jorra tal qual o suor do cansaço.

    Que pena que há tanta tristeza em meio a tanta beleza!

    Meu beijo,
    Inês

    ResponderExcluir
  8. Olá!!
    Devo dizer que não há pior sensação do que essa: a ausência de si mesmo;
    e também que não há nada melhor do que tranformar essas sensações num lindo poema como esse que você fez!
    Parabéns..

    ResponderExcluir
  9. Lindo pensar!
    Ás vezes precisamos dessa nossa ausência.
    Minha vizinha sempre me pede farinha.rs
    Beijos carinhosos

    ResponderExcluir
  10. "Ao nascer de mais um dia, tudo é lindo e maravilhoso. O caminho que se prossegue, a verdade que se faz presente e a vida que se expressa são os dons da plenitude Divina."

    beijooo.

    ResponderExcluir
  11. Fica mesmo difícil destacar um verso. Tudo tão intenso, Daniel, e tão familiar. :) Também vivo de urgências, mas estes sentimentos tortos talvez nos obriquem a viver no prumo, ou despencamos de vez...

    Abraço, bom final de domingo!

    ResponderExcluir
  12. Daniel, nem posso citar uma frase, pois gostei de todas, e todas me dizem algo que me levam pra lugarse díspares.
    Mas sei que não existe dor pior do perder-se de si mesmo. E vc o disse muito bem!

    ResponderExcluir
  13. Magnífico!! A medida que ia te lendo as imagens dançavam à minha frente. Amei seu texto. Adorei conhecer seu espaço.

    Jesus te abençõe!

    Um beijo em seu coração =*

    ResponderExcluir
  14. O equilíbrio é frágil, mas existe.
    Lindo poema!

    ResponderExcluir
  15. Daniel,

    Li esses dois últimos post, e são tão angustiantes. E tornam-se mais angustiantes para mim porque estive distante, e nem li nos dias que foram postados.

    E precisam ser relidos.

    beijos.

    ResponderExcluir
  16. Daniel!

    Que viagem, poeta! Palavras que percorrem o teu mundo "polvilhado" de sentimentos profundos. É o encontro e o desencontro de ti. A busca e a recolha de tudo e tanto que percebes neste mundo em que és e tens. Há tristezas nas entrelinhas e ausência - do eu que procuras.

    Daqui - de outros portos - fico pensando em você!
    Beijo

    ResponderExcluir
  17. Não se permita cair, a ausência fortifica a vontade de ter, acredite amigo.
    Saudades da sua casa e da casa minha para onde volto devagar.
    lindos dias
    beijos

    ResponderExcluir
  18. Parabéns.
    É um otimo texto.





    abraços.

    ResponderExcluir
  19. Daniel, meu querido, como você está? O silêncio, as vezes, me assusta.
    Oxalá a sua bússola interna já tenha reconstruído o norte magnético e, consequentemente, dado a você o caminho dos plátanos.

    Beijos carinhosos,
    Inês

    ResponderExcluir
  20. Difícil ter que dizer que me reconheço aqui, que me identifico em vírgulas e espaços entre uma frase e outra. Isso é imaginar que a sensibilidade aqui,também está aí...e consequentemente,as dores (mas também delícias,ufa!) que ela tráz. Belo texto! Adorei!

    ResponderExcluir
  21. Perfeita a constatação que fez no meu blog, realmente é isso!
    Sentimos falta de nós mesmos, de estar mais em silêncio, de estar bem com nossos sentidos, mesmo tortos que possam ser..de nos ater aos sonhos e realizá-los apenas umas vezes, de naufragar e surgir sem ninguém para discutir isso, de correr, de estar no escuro só a escutar a voz do coração!
    Que lindas palavras Daniel, me identifiquei profundamente!
    Um beijo!

    ResponderExcluir
  22. Olá! Através da Viiiiii que lhe presenteou com um selo, vim lhe conhecer. Adorei o que li.
    Parabens!

    ResponderExcluir

Adorei a sua companhia no caminho dos plátanos. Volte quando quiser!