quinta-feira, 1 de abril de 2010

BLOGAGEM COLETIVA - 1º DE ABRIL - DIA INTERNACIONAL DO HOMEM

?
Hoje é dia de estréia. A primeira vez em quase dois anos de blog que participo numa  blogagem coletiva. Culpa do Élcio do blog "Verseiro", que escreve aquelas coisas fantásticas e que, nas horas vagas, destila a arte da persuasão nas dosagens mais certas para cada caso.

Eu sempre pensei que os homens não precisavam ter o seu "Dia Internacional", por que tirando o "Dia Internacional da Mulher" todos os outros trezentos e sessenta e quatro dias restantes do ano já eram nossos mesmo. Mas no fundo, dando-se os devidos descontos para o cara que tenta ser divertido e que aproveita a "deixa" para contar uma piada, o fato é que não dá para falar de um "Dia Internacional do Homem" sem falar de mulher. 

Portanto, quero acreditar que, a partir de agora, as mulheres irão respeitar o nosso dia: "Primeiro de abril". E que hoje, e em 2011, 2012 e assim por diante, estejam atentas, pelo menos nesse dia, às nossas outras necessidades:

1 - No lugar de um botão de rosa vermelho podemos ganhar coisas mais úteis como a tabela da próxima copa do mundo ou um cortador de unhas para a gente espalhar meias-luas pelo carpete da sala.

2 - Que nesse dia, pelo menos nesse, não ultrapassem a cota de 35 ligações diárias em nosso celular para "desconfiar" de onde e com quem estamos.

3 - Que nesse dia aceitem jantar com nossos amigos ou parentes sem que tenhamos que prometer um presente.

4 - Que nesse dia nos liberem os canais de esporte na TV de LCD da sala. Afinal é um saco assistir o time da gente numa TV preto e branco de cinco polegadas, lá na cozinha, enquanto lavamos a louça. 

5 - Que nesse dia nos paguem o jantar num bom restaurante e não fiquem finjindo que comem pouco. Que pelo menos nesse dia não voltem para a casa com fome.

6 - Que nesse dia, se brigarem com a gente sem motivo, nem pensem em nos mandar ir dormir no sofá da sala. Mas que elas mesmo façam isso, afinal aquele sofá horrível e desconfortável só está lá naquele lugar por que elas adoraram o formato, gostaram da cor e nos encheram o saco até que concordamos em comprar.

7 - Que nesse dia não gostem tanto de nossos cartões de crédito, quanto não gostam de alguns de nossos hábitos matinais.

8 - Que nesse dia não nos façam caminhar horas no shopping entrando em todas as lojas de bolsas e sapatos e, depois, em todas as lojas de roupa, experimentando dezenas de peças e, no fim, comprando sempre uma blusa do tipo "pretinho básico". Uma que não se vê diferença das outras vinte e oito no fundo do armário.

Essas frases acima foram escritas, evidentemente, com o objetivo de produzir alguns sorrisos, quem sabe até algumas gargalhadas em homens e mulheres que passarem por aqui nos próximos dias.

Apenas queria acrescentar, agora falando com toda naturalidade, que respeito as mulheres e não sei o que seria da vida sem elas. 

quarta-feira, 24 de março de 2010

SERÁ POSSÍVEL ERRAR MENOS?

tuas ondas inundaram minhas faixas de frequência
e, agora, tudo que sei e não sei é
imperativo

por que às vezes eu sinto
como se fosse falar e fosse surdo
como se fosses ouvir e fosses muda

como se meu jeito de falar fosse mudo
como se o teu jeito de ouvir fosse cego

então indeciso se me reinauguro
ou peço concordata
prefiro esvaziar gavetas
também reformatar ipods
por que é tempo de tentar errar menos
para não sofrer tanto

época de derrubar a placa "vende-se"
de me encerrar e me encrencar dentro de casa
até cortarem a luz
e depois o gás
a água
a TV a cabo

por que senão me acabo
antes de começar

é época de tentar fazer diferente
para não sofrer tanto
de esvaziar total ou parcialmente
os sonhos
que não podem dar certo
ou por que não cabem no bolso
ou por que o reagente
da lâmina do perito
no microscópio
não revela nenhuma prova

então ainda respiro por aparelhos
no depósito da polícia
ou esquecido
ou esquisito
na cena do crime

terça-feira, 16 de março de 2010

FÓSFORO


sou o que sou
o que traz o fósforo
quando ninguém quer fogo

o que sugere o filme
quando todos só querem o jogo

eu sou o que fecha a torneira
quando todos tomam banho de cachoeira

eu sou a torrente
a própria correnteza
a água
o gole
a gota
o suor
a lágrima
a saliva
tudo que umedece
quando o resto do mundo "aridece" (*)

eu sou o lençol engomado
o lenço que venda os olhos
mas todo amassado

eu estou bem acompanhado
mas sem ninguém do lado

sou a lança que não fura
ou uma bolha que não dura

o que persiste
quando todos desistem

quero me achar
quando até a bússola se perde

eu sou o toque
na pele mais lisa
o torque
para ultrapassar quando precisa

eu sou de brisa
mas me conheço
pelos ventos fortes
sou capaz de destelhar casas
e quase morrer sufocado

eu sou como o cheiro de perfume
que com o tempo enfraquece

ou como um arrepio que de tão louco
não se sabe se sobe ou desce

eu sou o que sou
eu sei
e mais ninguém sabe

(*) Aridece - Até hoje essa palavra não existia. Mas as palavras novas são assim. Um dia elas nascem. "Aridece" nasceu hoje e simplesmente se refere a tudo àquilo que resseca ou que se torna árido.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

TORRE DE PISA


sou polvilhado de ausências
país das maravilhas, Alices...
apontado culpado de todos
blefes, flertes, fetiches...

sou salpicado de ausências
mas a pior de todas
é a falta da minha própria presença
quando dou por mim
mais doído que doença

disparo a campainha
ou é o vizinho que sempre pede farinha
mas o que eu sei e ele não sabe
é que não estou em casa
nem para mim mesmo

sinal de que deveria
alugar meus sonhos
para todos os esquizofrênicos do mundo

por que às vezes me sinto nitroglicerina
o próprio estopim
a causa do naufrágio
e a falta de motivo pro motim

eu me amofino e sou amofinado
jogo baralho com Shakespeare
grito e ouço gritos
nos corredores de Auschvitz
coisas de louco
aviões e kamikases no Havaí
dentro do zunido...
do meu ouvido

sinal de que estou cansado
para a solitária valsa
de se dançar "Lento"
num lago que era azul
e que ficou escuro

por que sou queimado de inconsistência
cheio de precipitações e más influências
rodeado dos piores e mais altos muros
quando nem saindo para me divertir comigo mesmo
eu me sinto seguro

por que estou no chão estatelado
por um adeus que nem sequer foi dito
e que, em mim, por minha causa
só o que é estúpido parece ficar bonito

e volto a correr
por que quando tentei ser mais "Lento"
escorreu entre os dedos o que me suaviza

por que fiquei sem norte
e meus sentimentos tortos
em outros portos
eu quase caindo mais que Torre de Pisa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A CONSTATAÇÃO DE UM INÚTIL ESTADO DE CONTENTAMENTO

estou triste
decepcionado de um jeito
que só mesmo eu entendo

não há culpa e culpados
só eu mesmo que teimo em ganhar
mas nunca venço a dor

teimo em me livrar dessas algemas
feitas sob medida para os meus pulsos
essas algemas que às vezes esticam
mas que jamais se rompem

estou triste sim
de um jeito que quem me vê
desconfia que sou outro

consternado e triste
por que talvez no fundo
não sei viver de outro jeito

por que comigo as coisas boas
são borboletas coloridas
que sempre voltam para o casulo

e definitivamente
não nasci para sorrir por muito tempo
por que o sorriso não combina com meu rosto
sempre passa correndo e não pára

estou triste assim
por que até meu sorriso chora
e sempre tem medo

por que as vezes vou dormir
e amanheço entusiasmado
olho para mim e até gosto
mas já outro dia não durmo
e a falta de sono é de angústia
a falta de espaço me abraça
e sinto vergonha
respiro e sufoco

por que comigo
as coisas que me alegram num segundo
em poucas semanas
perdem o prazo de validade

minhas esperanças são voláteis
meus céus subterrâneos
meus sonhos encurtam o braço
e nunca alcançam

então onde havia uma chance
a tristeza volta
impiedosa, implacável
como se um mau agouro
tivesse ventosas
impossíveis de arrancar do corpo

estou triste e ponto
por que meus quinze minutos
foram só três, quatro ou cinco
depois pararam no tempo
e a hora não mais vai fechar

então o muro que parecia ter caído
voltou a crescer
e eu fiquei do outro lado
no escuro
em silêncio

fiquei no lado que dá para o pântano
os pés na areia movediça
ou uma espécie de lodo
e eu sem saber como sair
enterrado até o pescoço

e triste a mais não poder

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VALES, ANOTAÇÕES E INCERTEZAS

o silêncio é ensurdecedor
o calor é suor

o meu silêncio ofende
penetra pela fenda do vale

e de que vale
olhar a vida
com certo ar metido de discernidor
se notar o que poucos notam
é aterrador

se notar a verdade
que interessa pouca gente
praticamente
não vale um vale-transporte
não vale um vale-refeição
um grampo, nem um vale-gás

no fim eu é que pago o vale
e tudo pra mim é caro

sempre rasgo a nota amarela de vinte
sempre anoto idéias num guardanapo
sempre gravo idéias no celular
e quando termino ninguém nota
o que eu ando anotando

sobra passagem de ida
para uma espécie de exílio
forçado

entro como fugitivo
ou bandido temido
ninguém mora ao lado

no fundo eu sei
que brincar de se calar
é ensurdecedor

por que o silêncio
às vezes
é blasfemador
ultrapassa os 40 graus

o calor abrasa
o grito esvazia
o gelo da imperfeição derrete

e a cegueira que me acomete
e me impede de tocar
é como o tato que se repete
e me impede de ver

eu ouço gostos
grito cheiros

e dentro da minha imprevisível
previsão do tempo
eu posso chover

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

ESTRELA


Minha inspiração
quase uma piração
praticamente o meu ar

quero ficar sem fôlego
num mergulho em teu mar
só para voltar a tona
e te respirar

é que você é feita de flores
e quero ser teu jardim.......
                                     ...... de inverno
            de primavera-verão
            e de outono
           
            quero ser teu dono!