quarta-feira, 15 de julho de 2009

NEVE

O amor não é como a flor de neve
ele é só como deve...

Não tem sono e sonha...
Às vezes gosta de ficar sozinho,
às vezes se deprime por estar sozinho...

 

O amor é como todos
e como poucos...

 

Dorme e acorda.

Freia e acelera.

 

Flerta

namora

e até Casa...

Enche o coração

os bolsos

e todos os cômodos da casa.

Bate e acaricia.
Ousa e malicia.

É de janelas e portas
escancaradas...

 

De oceanos cheios de poeira

e buracos na estrada.

 

Faz ponto de saque

e de bloqueio.

Pula de mão trocada

e espalma pra escanteio.


O amor é

de ouvidos abertos,

olhos e tato
espertos...

Sempre é de cama
e às vezes é de maca...

Fala com todos os "esses",
responde com todos os "erres"
embora nunca erre.

 

Não ganha

não toma emprestado

e não compra

por que se basta...

 

Por que

não sendo como a flor de neve

ele é só como deve...

 

simples

definido

e definitivo

com-par-ti-lha-men-to!

 

( Este é só um exemplo do que pode acontecer quando se visita um blog e se dá de cara com um texto bom ou uma poesia que nos faz sorrir. Foi o que aconteceu quanto eu visitei hoje cedo o blog da Carmem (http://asvezesceuazul.blogspot.com/) e li o poema Flor de Neve. Na mesma hora diversas palavras brotaram e eu deixei um comentário lá junto ao post com uma primeira versão desse poema. Só que depois, como acontece com a maioria das pessoas que escrevem, que gostam de escrever e que são perfeccionistas, eu voltei aos versos. O resultado está aqui. Versos editados. Outros acrescentados. E, no final, uma série de imagens que talvez apenas eu entenda cem por cento o significado. – Para Carmem. Uma pequena retribuição em relação ao bem enorme que me proporcionou a leitura de seus "Plátanos". )   

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PALAVRAS

as PALAVRAS

ultrapassaram as paredes duras

das capas do Aurélio... 

e depois de milhares

de combinações de letras

descobriram a senha

e entraram em mim pelos olhos...

 

é dessas invasões

que no fundo se gosta

e que gota a gota

produz enlevamento

e dá vontade de mais.

 

por que as PALAVRAS

vestem os assuntos de significado

e aí é impossível ficar impassível.

 

frases e frases

de uma aproximação que se deu às pressas

mas que depois foi acalmando

e tornando tudo que trouxe indispensável!

 

e então posso dizer

que teus pensamentos ricos

bonitos e bem escritos

vieram acalmar minha inquietação

e me fazer companhia...

 

e eu que andava tácito

e previsível

recuperei o bom humor...

e descobri que até na solidão

há amor.

 

e assim hora entretido, hora atrevido...

aprendi, pelo que eu tenho lido,

que essas PALAVRAS

me invadiram sem pagar ingresso

e não precisaram de material impresso

para se tornarem gêmeas dos meus pensamentos.

 

[ Poema dedicado a minha grande amiga e incentivadora Patty Alves, a dona das palavras do blog Palavras.]

DO TÉRREO AO AÉREO NUM SEGUNDO

Entendo a apologia.

Trato insônia com homeopatia;

e me encrenco.

 

Mais e menos

multiplicadas vezes,

divididas teses.

 

Acordo prólogo,

passo o dia drama,

vou dormir epílogo

sob pseudônimo...

 

A poesia e o muro,

o cartão visa,

e o porto seguro...

 

Vou do térreo

ao aéreo

e caio

ou desmaio.

 

Já nada me segura.

Já nada me apura.

Nenhum cara me assusta.

Tudo me custa caro.

 

Aceito

a insistência;

a eloqüência

do meu limite

escrito em verso

livre.

 

Meus devaneios

- enleios

que estão por tudo

e deixam mudo

quem tenta saber.

 

Quando as palavras gritam

e as desculpas irritam...

 

Quando os cotidianos escapam,

as longitudes espaçam,

e há caminhos de fadas

e caminhos de fo_ _ _ !

 

A folha de plátano

repousa;

a de cerejeira

exubera

e o monte Fuji

não foge.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

DÚVIDAS

As listras brancas

da faixa de segurança

no asfalto negro?

Ou as listras negras

do código de barras

na etiqueta branca?

 

O que é melhor? 

Sair da loja

numa colônia Galbe?

Ou atravessar a rua

sem levar uma multa?

 

A morena?

A loira?

A indefinida?

 

Em Porto Alegre

amar o Inter......

nacional?

ou o tradicional

rival?

 

Dúvidas obviamente!

E independente delas,

em um ano,

estaremos um ano

mais velhos...

 

Entrando em lojas,

atravessando ruas,

lendo bulas,

escolhendo embalagens,

pagando multas,

amando o time,

no estádio,

ou pelo radinho...

 

Ao lado da loira,

ou com uma morena,

ou com a indefinida;

ou tomando chimarrão sozinho!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ENTRISTECIMENTO

Arrancassem meu coração

pra colocar noutro peito,

e seriam duas mortes;

a do doador por amargura

e a do transplantado por envenenamento.

 

Por que ando gelado por dentro

e não tenho como atear fogo

ou criar ânimo

pra atenuar esse frio

que é puro entristecimento.

 

Por que olho para dentro de mim no espelho

e só vejo um grande coração vazio

de um homem que encolheu

e que está desaparecendo.

 

A minha direita as dúvidas,

à esquerda os medos;

desses que não cabem num vidro de café solúvel.

Por que derretidas, só as incertezas

pra deixar no testamento

que está no bolso furado do sobretudo...

 

Pra quando eu não tiver mais forças

pra acabar com o silêncio da noite

com o meu grito;

e alguém que pensa que me conhece

sentir a minha falta

e derramar uma lágrima!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

FAIXA DE SEGURANÇA


Eu estava em cima da faixa de segurança
quando a escolha errada que eu fiz
veio bêbada em seu carro desgovernado
e me atropelou...

Agora estou aqui sem analista,
sem fisioterapeuta,
sem seguro de vida e nem contra acidentes;
e até quando vou usar o plano de saúde...
minha doença já era pré-existente...

Então não tem para onde eu me virar;
nem quem eu abraçar...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ESTRELAS E TEMPESTADES

Há um fundo sem fundo

no olhar que procura estrelas

e só encontra tempestades!

 

É que a distancia relativa

entre as perdas e ganhos

tanto pode ser de um centímetro

como pode quase encostar no céu...

 

Quando se vai em busca de sonhos

e eles nunca acontecem,

as reações ficam bruscas

e o que se diz fica áspero...

 

Por que o dinheiro curto

nem sempre combina

com roteiros fracos;

e as frustrações ficam mais incômodas

quando se corre de pés descalços

em estrada de pedra fria.

 

Então quando se chega ao destino cansado

sai a frase calculada friamente

mas que na hora errada sai certo!

 

E as coisas acontecem

bem como tinha que ser.

 

Por que as estrelas e as tempestades

escrevem capítulos de verdades mudas

e pintam paredes de mentiras que gritam.

 

E todas as noites decepcionantes

amanhecem tranquilas

e cercadas de tímidos raios de sol

apenas algumas horas depois.